Software livre como resposta à crise econômica
Eu vou partir do pressuposto de que você não só sabe o que é software livre como também sabe que esta expressão não é sinônimo de software gratuito.
Assim, antes de pensar em discorrer sobre economia na aquisição de softwares, vou escrever sobre a aquisição de softwares de forma mais inteligente - e isto, obviamente, vale para qualquer período. Não apenas o recessivo.
Custos baixos de aquisição, atualizações mais frequentes, largas margens de lucro, são vantagens associadas ao SL. Estes fatos se comprovaram nos últimos meses do ano de 2008 quando, em plena recessão americana, empresas como SugarCRM, Digium e Zenoss, conhecidas por adotar e comercializar soluções neste modelo, tiveram lucros récordes. A Red Hat, uma grande empresa produtora de softwares, prestadora de serviços em tecnologia e mantenedora de uma tradicional distribuição Linux, anunciou lucros acima dos 500 milhões de dólares, já no fim do ano de 2008.
A situação do governo
No Brasil, não somente a esfera federal, como a estadual e a municipal prevêem quedas fortes nas arrecadações (empresas lucram menos e pagam, consequentemente, menos impostos). Ocorre que estas instituições estão entre as grandes compradoras de softwares legais. No mundo todo, a situação é semelhante - a hora é de economizar e apertar os cintos na esfera pública.
Para os municípios brasileiros está claro que haverá reduções drásticas nos repasses de verbas federais, tais como o fundo de participação.
“Custos” é um assunto que dá muito pano para manga na área da Tecnologia da Informação. Se, por um lado, o SL permite economizar na aquisição, outros custos continuam existindo. Instalação, suporte técnico, treinamento e etc, variam de acordo com a situação e devem ser adequadamente computados quando planejar a aquisição de software novo.
Transição
A recomendação de alguns especialistas é fazer a transição por partes, passo a passo, ou seja, trocar os softwares proprietários por livres aos poucos.
Outros defendem que a mudança que tiver que ser feita, seja feita logo. Mudar é sempre traumático e alegam que ficar com um pé numa situação e outro pé noutra, significa gastar dinheiro e energia nestas duas situações.
Embora eu concorde com esta segunda alegação, acredito que as coisas não têm necessariamente que acontecer desta forma. É possível continuar usando Windows e substituir apenas os softwares de produtividade (Office, em outras palavras).
Um exemplo de mudança gradual é o da Polícia Nacional da França (Gendarmerie Nationale) que trocou o Microsoft Office pelo OpenOffice em 2005 e, agora, evitando fazer o upgrade para o Windows Vista, iniciou a migração de seus PCs para o Ubuntu Linux, em um processo que deve se estender até 2015 e estima-se que trará uma economia de mais de 50 milhões de Euros.
BrOffice
De longe, este é o pacote de softwares livres mais popular atualmente. Adaptação ao mercado nacional do pacote OpenOffice, traz junto consigo uma planilha, um gestor de banco de dados, um programa para fazer gráficos vetoriais e um poderoso editor de textos que permite, entre outras coisas, criar arquivos PDF com o clique de um botão, além de ler todos os arquivos do MS Office (os softwares mudam, mas as pessoas continuam a trabalhar do ponto em que pararam).
Por este caminho, é possível fazer uma transição gradual e na medida certa para não sobrecarregar a equipe de suporte técnico e causar o mínimo de impacto na sua base de usuários.